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Como ler a Bíblia?


Talvez você deseje ser mais intencional na sua leitura bíblica em 2020. De fato, há espaço para isso. Uma pesquisa aponta que Brasil é o 2º país que mais gasta tempo nas redes sociais. Em média, gastamos mais de três horas por dia nas redes sociais.

Quero deixar aqui algumas dicas que podem ajudá-lo a interagir com a palavra de Deus nesse ano de maneira sistemática e disciplinada.

1. Tenha um plano de leitura bíblica
Há aqueles que defendem que a vida cristã deve ser guiada somente pela espontaneidade, enquanto outros acreditam que tudo gira em torno da disciplina. Eu acreditamos que ambos fazem parte da nossa caminhada. Há dias em que o nosso coração está sedento por Deus e o deseja de maneira especial (espontaneidade). Mas é verdade que há dias em que parecemos incrédulos e nosso coração está tomado por frieza. Simplesmente não temos vontade de orar nem de ler a palavra. Nesses dias, a disciplina devocional nos manterá no caminho. Portanto, a vida cristã é uma caminhada nessa estrada de mão dupla: espontaneidade e disciplina.

2. Escolha o plano mais adequado para você
Duas coisas devem ser levadas em conta na escolha de um plano de leitura: o ritmo de vida e a capacidade de leitura. Cada um tem um ritmo de vida diferente, por isso não devemos cair na tentação de imitar a disciplina devocional de outros irmãos. Há de se considerar também que há aqueles que leem com facilidade e outros que ainda não têm esse hábito. Não há necessidade de escolher um plano que vá te frustrar logo na primeira semana por não ter conseguido cumpri-lo. Escolha um plano adequado à sua realidade e capacidade.

3. Lembre-se que a palavra de Deus é “viva e eficaz”
Hebreus 4.12 diz: “Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração”.
Deus fala conosco de maneira extraordinária e rotineira através da palavra dele. É extraordinário porque estamos lidando com o sobrenatural, um Deus vivo e uma palavra viva. É rotineira, pois deve fazer parte do nosso dia a dia.


4. A vida devocional é mais simples do que imaginamos
Precisamos quebrar um “tabu” quanto à disciplina devocional. Por lermos biografias de homens e mulheres de Deus na história e aprendermos acerca da devoção deles, pode ser que somos tentados a copiá-los.
Há também aqueles que nasceram em ambiente mais pietista, onde a devocional deve ser feita de acordo com uma lista de exigências: tem que ser no seu quarto, durar cerca de uma hora, deve-se ler tantos capítulos por dia e gastar um tempo grande em oração.

Considerando que estamos vivendo em uma época diferente das biografias e que não precisamos ter uma vida devocional para sermos aceitos por Deus (Jesus Cristo já nos garantiu isso), devemos encaixar a disciplina devocional à nossa realidade.
Se você usar o seu celular para ler a palavra, talvez dentro de um ônibus ou metrô no caminho do seu trabalho, ou preferir no intervalo da sua faculdade, seja disciplinado assim mesmo! O nosso Deus não “habita no nosso quarto feito por mãos humanas” e “vivemos, nos movemos e existimos nele” (At 17.24, 28). Temos a promessa que podemos nos aproximar de Deus em todo momento e em qualquer lugar. Não é o tempo da nossa devocional que conta, e sim se fazemos com fé e em nome de Cristo Jesus.

5. Ore antes e depois da leitura bíblica
Ore antes da leitura para lutar contra seu próprio coração pecaminoso que se distrai facilmente e tem outros prazeres mais elevados que o próprio Deus. A própria palavra nos ensina isso:

“Abre os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua lei” (Sl 119.18).
“Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos” (Ef 1.18)

Medite sobre o que foi lido brevemente e ore depois da leitura aplicando o texto bíblico ao seu coração. É assim que internalizamos a palavra de Deus em nós e direcionamos a nossa oração à vontade divina e não à nossa. Nossa oração é viciada, oramos sempre pelas mesmas coisas. Mas, se tivermos a disciplina de orarmos o próprio texto que lemos, seja uma única palavra do texto ou um verso, estamos nos submetendo em oração à “boa, perfeita e agradável vontade de Deus” para as nossas vidas. É essa oração que Deus sempre responde!

6. Procure Cristo, procure Cristo, procure Cristo
A Palavra de Deus é cheia de informações, detalhes e histórias inspiradoras. Mas ela não existe para encher nossas cabeças de fatos e frases. Histórias em si não salvam nossas almas. Antes, é por meio de Jesus Cristo que somos perdoados e transformados. Por isso, ao ler uma passagem do texto bíblico, faça essa pergunta: “Como esse texto aponta para a esperança que há em Jesus Cristo?”; “Como esse texto revela a vontade Deus para o seu povo que confia em Jesus Cristo?” As respostas serão mais claras em algumas passagens do que outras. Mas procure fazer leituras que são cristocêntricas. “As Escrituras,” disse Jesus Cristo em João 5.39, “testificam de mim.” Mais do que um livro de histórias, a Palavra de Deus é a fonte da nossa esperança eterna.

7. Faça perguntas e procure respostas
Às vezes, podemos ter dificuldade em aplicar nossa leitura ao nosso dia-a-dia. Pode ser que as aplicações não saltam das páginas. Lemos dois, três ou quatro capítulos e ficamos com a pergunta: “O que esse texto tem a ver comigo hoje?”
Não tenha receio de fazer perguntas ao texto. Seguem alguns exemplos que podem nos ajudar:
  • O que esse texto diz acerca (revela sobre) da soberania ou santidade de Deus?
  • O que esse texto diz sobre a vida e obra do nosso salvador Jesus Cristo?
  • Como esse texto aponta para o evangelho?
  • Como esse texto desafia o não-cristão que crê que suas boas obras são suficientes?
  • Como esse texto confronta o meu orgulho?
  • Como esse texto aponta a minha nova identidade em Cristo?
  • Como esse texto revela que os “caminhos de Deus são mais altos do que os meus”?
  • Como esse texto me convoca à obediência? Ao descanso? À evangelização? A confessar o meu pecado?
  • Como esse texto conforta a minha luta com meu pecado? O que o texto diz para mim na minha dor? Quando me frustro com as futilidades da vida?
  • Como esse texto me convida à adoração apesar das minhas circunstâncias?
  • Qual atributo divino está destaque? Qual promessa divina? Como posso, em oração, agradecer ao meu Salvador pela forma que ele está descrito aqui?
  • Como esse texto encoraja a Igreja de Jesus Cristo a não perder sua esperança? À não abandonar a doutrina genuína? À não tirar seus olhos de Cristo?
É isso querida amiga. Que essas dicas sejam úteis para a nossa caminhada na palavra nesse novo ano.
Desejo a todas um ano na vontade de Deus!

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